Ela não largava o cigarro, embora pensasse nisso em todas as manhãs típicas de domingo. No entanto, lá estava o seu velho amigo: o único a acordar com ela e a dividir sua cama há meses. Decidiu que largaria, a tosse não estava mais suportável. Era como tentar colocar para fora algo estranhamente entranhado...
Sem sucesso, obviamente.
Sucesso... não reconhecia mais essa palavra. Não era só a cama que estava vazia. Mas era naqueles lençóis solitários que seu comportamento se refletia. Nada fora, nada dentro dela - em qualquer sentido possível. Acendeu mais um - o dia já estava totalmente fodido, foder sua garganta não seria tão mais grave assim. Se ao menos fosse fodida de outra forma...
Pensou em como sempre conseguia estragar tudo, mesmo quando essa era a última de suas intenções. Ela sabia que valia alguma coisa, talvez até mais que um maço de cigarros. Só estava difícil provar isso para ela mesma nos últimos tempos...
Pra certas coisas não há conserto. Quem sabe a sua vida não era apenas uma delas? Sem maiores mistérios: fora apenas um acidente sexual entre dois adultos que não se gostavam o suficiente pra se misturarem tanto a ponto de gerar outra pessoa. Uma doença venérea para a qual não houve cura. E então ela nascera, fim. E agora, o que fazer com tudo aquilo? "Foder com o que resta de esperança, é claro." E estragar todo o resto de merda que ainda a proporcionava alguns pequenos momentos de prazer. Lembrou do que conseguiu lembrar da noite anterior - grande bosta. Decidiu que voltaria a tomar seus remédios, retornaria aos exercícios, beberia menos e não chegaria mais perto do pó. Quanto ao cigarro... bem, alguma coisa precisava estar segura em suas mãos. Qualquer coisa. Se não podia ser sua vida, que fosse um amontoado de alcatrão e nicotina. Mas... não era exatamente esse o problema?
Não havia solução que viesse de fora para dentro - embora essa fosse uma excelente alternativa para sua cama vazia. No entanto, ali nada era definitivo. Nem a cor dos seus cabelos, nem todos os homens estúpidos pelos quais ela se apaixonava, nem o seu esmalte, nem o babaca aleatório que bancava suas cheiradas loucas.
Decidiu que o melhor era apenas deixar para lá. Não queria sair correndo de quartos estranhos, nem pedir mais desculpas por se comportar como uma puta quando queria ser tratada como dama. Não queria muita coisa. Mas essa era a sua natureza, como o tal escorpião. Ou seria uma escolha? Dessas que a gente não faz e quando se dá conta, simplesmente escolheram pela gente. "Impossível", ela pensou.
Mas muita coisa já estava impossível por ali.
Inclusive a sua vida.
Acendeu mais um cigarro e deixou-o queimando, enquanto se recordava do cheiro familiar de cabelo limpo. De qualquer forma, tudo o que restara ali fora o aroma de coisa estragada - que só ela sabia de onde vinha.
Sem sucesso, obviamente.
Sucesso... não reconhecia mais essa palavra. Não era só a cama que estava vazia. Mas era naqueles lençóis solitários que seu comportamento se refletia. Nada fora, nada dentro dela - em qualquer sentido possível. Acendeu mais um - o dia já estava totalmente fodido, foder sua garganta não seria tão mais grave assim. Se ao menos fosse fodida de outra forma...
Pensou em como sempre conseguia estragar tudo, mesmo quando essa era a última de suas intenções. Ela sabia que valia alguma coisa, talvez até mais que um maço de cigarros. Só estava difícil provar isso para ela mesma nos últimos tempos...
Pra certas coisas não há conserto. Quem sabe a sua vida não era apenas uma delas? Sem maiores mistérios: fora apenas um acidente sexual entre dois adultos que não se gostavam o suficiente pra se misturarem tanto a ponto de gerar outra pessoa. Uma doença venérea para a qual não houve cura. E então ela nascera, fim. E agora, o que fazer com tudo aquilo? "Foder com o que resta de esperança, é claro." E estragar todo o resto de merda que ainda a proporcionava alguns pequenos momentos de prazer. Lembrou do que conseguiu lembrar da noite anterior - grande bosta. Decidiu que voltaria a tomar seus remédios, retornaria aos exercícios, beberia menos e não chegaria mais perto do pó. Quanto ao cigarro... bem, alguma coisa precisava estar segura em suas mãos. Qualquer coisa. Se não podia ser sua vida, que fosse um amontoado de alcatrão e nicotina. Mas... não era exatamente esse o problema?
Não havia solução que viesse de fora para dentro - embora essa fosse uma excelente alternativa para sua cama vazia. No entanto, ali nada era definitivo. Nem a cor dos seus cabelos, nem todos os homens estúpidos pelos quais ela se apaixonava, nem o seu esmalte, nem o babaca aleatório que bancava suas cheiradas loucas.
Decidiu que o melhor era apenas deixar para lá. Não queria sair correndo de quartos estranhos, nem pedir mais desculpas por se comportar como uma puta quando queria ser tratada como dama. Não queria muita coisa. Mas essa era a sua natureza, como o tal escorpião. Ou seria uma escolha? Dessas que a gente não faz e quando se dá conta, simplesmente escolheram pela gente. "Impossível", ela pensou.
Mas muita coisa já estava impossível por ali.
Inclusive a sua vida.
Acendeu mais um cigarro e deixou-o queimando, enquanto se recordava do cheiro familiar de cabelo limpo. De qualquer forma, tudo o que restara ali fora o aroma de coisa estragada - que só ela sabia de onde vinha.
